Think Tank Tuga

Saturday, August 20, 2005

Well, how have I been faring after three weeks. I would say fair enough, but it has been far from charming. I guess it is different now that I'm not studying and have to work for a living, and realize that although I could do so many things, or travel to so many places, I won't be able to because I either have to work long hours (and I never leave the office before 18h30), or I don't have enough money to treat myself to a Eurostar ride to Paris or even to a Ryanair flight to Dublin. My standard living, with what I'm earning, is borderline, and I guess it doesn't make much sense to live abroad if you get into a worse situation. Well, if I manage to survive the year here, at least I will go back appreciating my country much more (for some time that is, before I go back to the typical rant mode!).
I have finally managed to find Portuguese papers for sale on the stands. I bought Diario de Noticias today, so that I could read DNA and it's wonderful interviews and chronicles. It's a pity Expresso (a Portuguese weekly) costs 8 euros here, otherwise I'd buy it.
My social life has been quite low profile, I go once a week to have dinner with Pedro, who lives across the river in New Cross (some 40 min. by bus!), and I meet up every now and then with Deborah, who is an architect and is working at a top engineering company just close to my office.
But again, no time, and a need to keep expenses under control!
I have been using the Holmes Place Health clubs here (A British chain), thanks to a special card I got from my club in Portugal allowing me to use the clubs in London, but last week, Holmes Place Portugal was sold to a Spanish company and is no longer part of the chain. So, I started being barred from using the clubs here. My club in Portugal says I am entitled to use the clubs here for a few more months, according to instructions from the Iberian CEO, but here they say they don't know anything about it, so I triggered a diplomatic rout between Portugal and the UK! But see, this is a good example of globalization, how an event in Portugal affects the life of a poor Portuguese man in London!
Anyway, my folks are in the Algarve, and I am just trying to find an easyjet to run away next weekend to the sun and good food of the Algarve and join them, since next week there's a bank holiday here on monday (long weekend), so I don't feel like staying here!

Sunday, July 31, 2005

A partir de agora, vou passar também a escrever no blogue Tu cá, tu lá, em co-autoria com o Pedro, do My Abstract, que, tal como já tinha dito, está de partida para Berkeley, na Califórnia onde vai dispor de condições ímpares para desenvolver o seu doutoramento, bem como por outro Pedro, que está em Londres, e que em princípio será o meu "flatmate". O Tu cá, tu lá visa contar, sob a perspectiva de um "emigrante", um pouco da vida quotidiana de cidades onde estiverem radicados os correspondentes, neste caso, e por agora, apenas Londres e São Francisco/Berkeley. Agora que me ofereceram uma máquina digital (obrigado Duarte, Nuno e Pedro), é desta que os meus blogues vão passar a ter fotografias também!

Se ainda não foram, vale a pena ir ver a exposição dos fotógrafos da Agência Magnum no CCB. Basicamente, é uma mostra das fotos tiradas por eles durantes os anos de ditadura, bem como mais recentemente, sobretudo por Susan Meiselas, que fez um trabalho sobre a comunidade de Cova da Moura
Mas é um bocado triste ver aquilo, senti que eram os tipos dos países civilizados a vir cá para retratar o nosso atraso (o Portugal marxista, rural, provinciano, muito católico) com uma curiosidade de cientista.
O que vale é que no fim da tarde ainda fui ao Havana dançar umas salsas, e sobretudo, umas kizombas, porque disso não tenho em Londres. Que bem que me soube! Para mim, Lisboa continua, e continuará a ser a melhor cidade do mundo!

Saturday, July 30, 2005

Crónicas da Clara Ferreira Alves

Nutro admitidamente uma relação amor-ódio com a coluna semanal da Clara Ferreira Alves no Expresso. São aquilo que se pode chamar "rants" (dizer mal), e que nós Portugueses, sabemos fazer tão bem (até apoio uma candidatura Portuguesa a património mundial da UNESCO). Não há semana em que ela não se queixe de que os Portugueses são o povo mais inculto, iletrado, bronco, que Lisboa é a pior capital da Europa, que Barcelona, Londres ou Nova Iorque é que são cidades fantásticas. Esta semana pôs-se a dizer que somos uns incultos porque lemos pouco e mentirosos porque dizemos aos amigos que vamos aproveitar para ler nas férias, mas não vamos.
Apesar dela muitas vezes ter razão no que diz, e pôr como ninguém o dedo na ferida, começo a não ter paciência para os queixumes dela. Sempre me disseram que quem está mal, muda-se. Eu por acaso vou mudar-me, mas não estou mal. Mas não percebo porque é que ela nunca se pôs a andar. No fundo, tenho a impressão que ela deve ser daquelas elites culturais frustradas por o país não ser o que desejariam (mas claro, porque assim não têm oportunidade de se pavonearem ainda mais, não é?).
Para ela continuar a viver cá, presumo que ela também encontre aspectos positivos no país. É pena é que não fale deles nas suas crónicas. Eu não tenho dúvida que Portugal tem imensas coisas boas; infelizmente, os media gostar de realçar os aspectos maus e ignorar os aspectos bons. Agora que vou emigrar mais uma vez, não tenho dúvida nenhuma que vou passar a gostar mais ainda de Portugal. E isto porque vou passar a conhecer os podres dos outros. O que me vai valer, espero eu, ainda é a salsa!

Thursday, July 28, 2005

Amanhã despeço-me de Santa Maria. Foram seis anos (sete no meu caso), apesar de tudo, decisivos para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de viver momentos fantásticos e de conhecer pessoas interessatíssimas com quem irei manter-me em contacto para o resto da vida.
No entanto, também se penou muito, e muito do que eu e muitos colegas tivemos de suportar não desejo a ninguém. Santa Maria é, mais do que uma faculdade de medicina, uma verdadeira escola de vida, com todos os seus altos e baixos. Bati com a cabeça na parede muitas vezes, e decerto continuarei pela vida fora, mas em jeito de balanço, tudo isso me fez crescer e me tornou uma pessoa mais madura e sensata. Em 1998 entrei uma criança, em 2005 saio doutor.
Podemos não ter tido a formação que desejaríamos, mas a verdade é que já somos médicos, e acima de tudo, vamos passar a ter deveres e responsabilidades a cumprir perante os nossos futuros pacientes e perante a sociedade, que a partir de agora nunca mais nos largarão (acreditem, já fui abordado às 2 da manhã numa festa de salsa para ver uma rapariga que se queixava de tonturas).
É à faculdade de Medicina que também devo o meu novo emprego, em Londres, a partir da semana que vem, pois sem a licenciatura nunca teria chegado a lado nenhum. O thinktanktuga vai mudar-se de armas e bagagens para a capital Britânica, e continuar as suas reflexões que visam (des)compreender esta realidade complexa que é o mundo contemporâneo. Estejam atentos.
Santa Maria é um caminho árduo e espinhoso, mas tão ou mais o é a arena da vida real para a qual somos agora lançados.
Obrigado e muitos abraços e beijos a todos e todas aqueles e aquelas que me ajudaram, inspiraram, amaram, riram comigo, choraram comigo, ao longo dos últimos sete anos de vivências universitárias. Saio de consciência tranquila e com a sensação do dever cumprido. Claro que há coisas que agora, sabendo o que sei agora, e olhando para trás, teria feito de maneira diferente, mas agora é acima de tudo, altura de olhar para o futuro. Do que ficou para trás, e dos erros que cometi, julgo ter tirado as devidas ilacções, para no futuro não voltar a cometê-los. Até sempre.

Tenho-me apercebido que, mais importante do que o local onde escolhemos trabalhar (e em Portugal, há um concurso nacional para escolha do local onde se faz o ano comum – o período de formação pós graduada antes da especialidade), são as pessoas com quem trabalhamos. Podem fazer a diferença entre um ano fantástico, em que aprendemos, evoluímos, as pessoas nos tratam bem e nos dão apoio, e um ano miserável, em que é um sacrifício enorme sair de casa para ir trabalhar todos os dias.
Era capaz de trocar o conforto de Lisboa pelos confins de Trás-os-Montes se soubesse que lá estaria a equipa mais fixe do país inteiro, que me iria acolher e integrar da melhor forma possível, e se iria preocupar com o meu desenvolvimento profissional, em vez de ser mais um escravo.
Parece bem? O problema é o trabalho de visitarmos muitos hospitais para conhecermos e falarmos com os internos e demais médicos, e sabermos as regras do jogo naquela unidade de saúde. Pode parecer moroso, mas na minha opinião era uma boa maneira de escolhermos o melhor sítio para trabalhar.

Wednesday, July 27, 2005

Hoje estava na sala dos médicos quando vejo um médico Espanhol lá do serviço desligar o telefone bruscamente, depois de uma conversa com um colega médico Português de outro serviço. Ele não estava nitidamente satisfeito com o desfecho da conversa, pois não parava de pragejar “coño”, “hoder” e outros termos “coloridos” fo jargão Portunholesco. Ele depois vira-se para mim, que era a única pessoa para além dele na sala, e diz-me:
-“Sabes qual é o problema deste país? É que 80% dos médicos não querem trabalhar!” Depois de alguns minutos de reflexão sociológica conjunta, não resisti a perguntar-lhe o que é que ele realmente detestava em Portugal.
-“São as desigualdades sociais. Em Espanha não te deparas com uma velhota que só não recebe assistência médica porque não tem dinheiro para pagar o táxi para o hospital. E depois aqui em Lisboa vês mais carros de luxo do que em Madrid.”
Pouco depois começou a tecer considerações acerca das (más) condições dos hospitais Portugueses. “Santa Maria parece um hospital Espanhol do século XIX. Em Espanha, os hospitais não têm nada a ver”.
Enfim. Então é assim. Relativamente às assimetrias sociais, não é preciso ter um doutoramento em economia para nos apercebermos de que o nosso nível de vida está a diminuir, pois Portugal já não converge com a União Europeia há 5 ou 6 anos, aliás diverge. Por outro lado, muitos de nós certamente que temos consciência que as condições dos hospitais Portugueses deixam muito a desejar, e que muitos serviços do HSM, o maior hospital do país, não são dignos de um país da União Europeia.
No entanto, para alguém que é imigrante, e que por isso está numa posição desfavorável, não é de bom tom criticar o país de acolhimento, que lhe paga o ordenadinho no final do mês. Não por mim, que até empatizei com ele, mas um dia ele pode ter o azar de dizer isto a alguém que não vai achar muita piada, e que até pode ser o seu superior, e consequentemente arranjar sarilhos. Bem sei que deve ser preciso a um Espanhol engolir o orgulho para bater à porta do vizinho pobre a pedir emprego, mas a verdade é que apesar da pujança Espanhola e do seu invejável desenvolvimento que tornou Espanha um dos países mais prósperos da Europa (que já nada tem a ver com Portugal, a todos os níveis), centenas de nuestros hermanos continuam a atravessar a fronteira para terem a oportunidade de aplicar os conhecimentos que adquiraram nas faculdades de medicina e enfermagem. Nunca é de bom tom morder a mão que nos alimenta, por muito injusta que seja a nossa situação. Mas o mais triste é que pouco a pouco a invasão Espanhola começa a assumir moldes algo preocupantes. É que já há serviços, como aquele onde eu estou, onde os Espanhóis já assumem cargos de chefia, e mandam nos médicos Portugueses. Eu não sou contra a vinda de médicos Espanhóis, Moldavos ou Liberianos. Apenas gosto do meu país, mas tenho pena que o meu país, em vez de 10 bons estádios de futebol, não tenha bons hospitais em que os médicos se sintam bem, boas universidades, para não falar de escolas em condições, e por aí adiante. Para que pudéssemos ser uma referência que os outros países invejassem, em vez de sermos constantemente a ovelha negra da família. É que melhores condições de trabalho também aumentam os níveis de motivação de quem lá trabalha.

Tuesday, July 26, 2005

Havaianas

A febre das havaianas invadiu Portugal. Eu pessoalmente, confesso que não sou grande adepto. E porquê? Bem, primeiro, porque passo grande parte do tempo no hospital, a contactar com pacientes. Mas acima de tudo, e isto pode parecer uma picuinhice minha, não gosto em geral de usar calçado aberto, porque sempre que o faço parto uma unha ou outra, para além de que estamos especialmente vulneráveis a todo o tipo de traumatismos, particularmente nos transportes públicos de Lisboa...
Claro que às vezes desespero por só usar calçado fechado, mas a verdade é que para mim acaba por ser um mal menor, pois as vantagens superam as desvantagens.

Saturday, July 23, 2005

Actualização

O meu blogue acaba de levar um pequeno "upgrade". Para além de agora ter desvendado a minha identidade e de fornecer o meu email, passei a disponibilizar o registo dos leitores, para que estes recebam por email as minhas últimas entradas.

Novo casal Damásio

Os meus colegas da Nova acabaram ontem o curso, já são médicos! Parabéns a eles! Entre eles, estavam um casal que quer ir viver para a Suécia. O Rui, que quer ir fazer o doutoramento para o Instituto Karolinska, em Estocolmo, e a Marta, que quer ser neurologista pediátrica. São um casal muito engraçado, pois ambos gostam muito de investigação, e estão ambos convictos de que a Suécia é a terra prometida. A Marta está a tentar entrar no programa de internato geral deles (período de formação pós-graduada prévio è especialização), que dura 18 meses.~
A verdade é que esta prometedora parelha de cérebros fez-me lembrar do casal de médicos e cientistas António e Hanna Damásio, que estão radicados nos EUA (acho que se mudaram para a Califórnia recentemente), e que dão cartas a nível mundial nas neurociências. Eu espero que sim, que eles se tornem num novo "casal Damásio", e desejo-lhes toda a sorte deste mundo, pois são pessoas que sabem muito bem o que querem, têm muito valor, mas ainda estão à espera que alguém lhes dê uma oportunidade para singrarem. E eu não tenho dúvidas nenhumas de que estão talhados para o sucesso, com muita pena para Portugal, que infelizmente não tem condições para segurar estas e outras mentes brilhantes.