Think Tank Tuga

Sunday, July 31, 2005

A partir de agora, vou passar também a escrever no blogue Tu cá, tu lá, em co-autoria com o Pedro, do My Abstract, que, tal como já tinha dito, está de partida para Berkeley, na Califórnia onde vai dispor de condições ímpares para desenvolver o seu doutoramento, bem como por outro Pedro, que está em Londres, e que em princípio será o meu "flatmate". O Tu cá, tu lá visa contar, sob a perspectiva de um "emigrante", um pouco da vida quotidiana de cidades onde estiverem radicados os correspondentes, neste caso, e por agora, apenas Londres e São Francisco/Berkeley. Agora que me ofereceram uma máquina digital (obrigado Duarte, Nuno e Pedro), é desta que os meus blogues vão passar a ter fotografias também!

Se ainda não foram, vale a pena ir ver a exposição dos fotógrafos da Agência Magnum no CCB. Basicamente, é uma mostra das fotos tiradas por eles durantes os anos de ditadura, bem como mais recentemente, sobretudo por Susan Meiselas, que fez um trabalho sobre a comunidade de Cova da Moura
Mas é um bocado triste ver aquilo, senti que eram os tipos dos países civilizados a vir cá para retratar o nosso atraso (o Portugal marxista, rural, provinciano, muito católico) com uma curiosidade de cientista.
O que vale é que no fim da tarde ainda fui ao Havana dançar umas salsas, e sobretudo, umas kizombas, porque disso não tenho em Londres. Que bem que me soube! Para mim, Lisboa continua, e continuará a ser a melhor cidade do mundo!

Saturday, July 30, 2005

Crónicas da Clara Ferreira Alves

Nutro admitidamente uma relação amor-ódio com a coluna semanal da Clara Ferreira Alves no Expresso. São aquilo que se pode chamar "rants" (dizer mal), e que nós Portugueses, sabemos fazer tão bem (até apoio uma candidatura Portuguesa a património mundial da UNESCO). Não há semana em que ela não se queixe de que os Portugueses são o povo mais inculto, iletrado, bronco, que Lisboa é a pior capital da Europa, que Barcelona, Londres ou Nova Iorque é que são cidades fantásticas. Esta semana pôs-se a dizer que somos uns incultos porque lemos pouco e mentirosos porque dizemos aos amigos que vamos aproveitar para ler nas férias, mas não vamos.
Apesar dela muitas vezes ter razão no que diz, e pôr como ninguém o dedo na ferida, começo a não ter paciência para os queixumes dela. Sempre me disseram que quem está mal, muda-se. Eu por acaso vou mudar-me, mas não estou mal. Mas não percebo porque é que ela nunca se pôs a andar. No fundo, tenho a impressão que ela deve ser daquelas elites culturais frustradas por o país não ser o que desejariam (mas claro, porque assim não têm oportunidade de se pavonearem ainda mais, não é?).
Para ela continuar a viver cá, presumo que ela também encontre aspectos positivos no país. É pena é que não fale deles nas suas crónicas. Eu não tenho dúvida que Portugal tem imensas coisas boas; infelizmente, os media gostar de realçar os aspectos maus e ignorar os aspectos bons. Agora que vou emigrar mais uma vez, não tenho dúvida nenhuma que vou passar a gostar mais ainda de Portugal. E isto porque vou passar a conhecer os podres dos outros. O que me vai valer, espero eu, ainda é a salsa!

Thursday, July 28, 2005

Amanhã despeço-me de Santa Maria. Foram seis anos (sete no meu caso), apesar de tudo, decisivos para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de viver momentos fantásticos e de conhecer pessoas interessatíssimas com quem irei manter-me em contacto para o resto da vida.
No entanto, também se penou muito, e muito do que eu e muitos colegas tivemos de suportar não desejo a ninguém. Santa Maria é, mais do que uma faculdade de medicina, uma verdadeira escola de vida, com todos os seus altos e baixos. Bati com a cabeça na parede muitas vezes, e decerto continuarei pela vida fora, mas em jeito de balanço, tudo isso me fez crescer e me tornou uma pessoa mais madura e sensata. Em 1998 entrei uma criança, em 2005 saio doutor.
Podemos não ter tido a formação que desejaríamos, mas a verdade é que já somos médicos, e acima de tudo, vamos passar a ter deveres e responsabilidades a cumprir perante os nossos futuros pacientes e perante a sociedade, que a partir de agora nunca mais nos largarão (acreditem, já fui abordado às 2 da manhã numa festa de salsa para ver uma rapariga que se queixava de tonturas).
É à faculdade de Medicina que também devo o meu novo emprego, em Londres, a partir da semana que vem, pois sem a licenciatura nunca teria chegado a lado nenhum. O thinktanktuga vai mudar-se de armas e bagagens para a capital Britânica, e continuar as suas reflexões que visam (des)compreender esta realidade complexa que é o mundo contemporâneo. Estejam atentos.
Santa Maria é um caminho árduo e espinhoso, mas tão ou mais o é a arena da vida real para a qual somos agora lançados.
Obrigado e muitos abraços e beijos a todos e todas aqueles e aquelas que me ajudaram, inspiraram, amaram, riram comigo, choraram comigo, ao longo dos últimos sete anos de vivências universitárias. Saio de consciência tranquila e com a sensação do dever cumprido. Claro que há coisas que agora, sabendo o que sei agora, e olhando para trás, teria feito de maneira diferente, mas agora é acima de tudo, altura de olhar para o futuro. Do que ficou para trás, e dos erros que cometi, julgo ter tirado as devidas ilacções, para no futuro não voltar a cometê-los. Até sempre.

Tenho-me apercebido que, mais importante do que o local onde escolhemos trabalhar (e em Portugal, há um concurso nacional para escolha do local onde se faz o ano comum – o período de formação pós graduada antes da especialidade), são as pessoas com quem trabalhamos. Podem fazer a diferença entre um ano fantástico, em que aprendemos, evoluímos, as pessoas nos tratam bem e nos dão apoio, e um ano miserável, em que é um sacrifício enorme sair de casa para ir trabalhar todos os dias.
Era capaz de trocar o conforto de Lisboa pelos confins de Trás-os-Montes se soubesse que lá estaria a equipa mais fixe do país inteiro, que me iria acolher e integrar da melhor forma possível, e se iria preocupar com o meu desenvolvimento profissional, em vez de ser mais um escravo.
Parece bem? O problema é o trabalho de visitarmos muitos hospitais para conhecermos e falarmos com os internos e demais médicos, e sabermos as regras do jogo naquela unidade de saúde. Pode parecer moroso, mas na minha opinião era uma boa maneira de escolhermos o melhor sítio para trabalhar.

Wednesday, July 27, 2005

Hoje estava na sala dos médicos quando vejo um médico Espanhol lá do serviço desligar o telefone bruscamente, depois de uma conversa com um colega médico Português de outro serviço. Ele não estava nitidamente satisfeito com o desfecho da conversa, pois não parava de pragejar “coño”, “hoder” e outros termos “coloridos” fo jargão Portunholesco. Ele depois vira-se para mim, que era a única pessoa para além dele na sala, e diz-me:
-“Sabes qual é o problema deste país? É que 80% dos médicos não querem trabalhar!” Depois de alguns minutos de reflexão sociológica conjunta, não resisti a perguntar-lhe o que é que ele realmente detestava em Portugal.
-“São as desigualdades sociais. Em Espanha não te deparas com uma velhota que só não recebe assistência médica porque não tem dinheiro para pagar o táxi para o hospital. E depois aqui em Lisboa vês mais carros de luxo do que em Madrid.”
Pouco depois começou a tecer considerações acerca das (más) condições dos hospitais Portugueses. “Santa Maria parece um hospital Espanhol do século XIX. Em Espanha, os hospitais não têm nada a ver”.
Enfim. Então é assim. Relativamente às assimetrias sociais, não é preciso ter um doutoramento em economia para nos apercebermos de que o nosso nível de vida está a diminuir, pois Portugal já não converge com a União Europeia há 5 ou 6 anos, aliás diverge. Por outro lado, muitos de nós certamente que temos consciência que as condições dos hospitais Portugueses deixam muito a desejar, e que muitos serviços do HSM, o maior hospital do país, não são dignos de um país da União Europeia.
No entanto, para alguém que é imigrante, e que por isso está numa posição desfavorável, não é de bom tom criticar o país de acolhimento, que lhe paga o ordenadinho no final do mês. Não por mim, que até empatizei com ele, mas um dia ele pode ter o azar de dizer isto a alguém que não vai achar muita piada, e que até pode ser o seu superior, e consequentemente arranjar sarilhos. Bem sei que deve ser preciso a um Espanhol engolir o orgulho para bater à porta do vizinho pobre a pedir emprego, mas a verdade é que apesar da pujança Espanhola e do seu invejável desenvolvimento que tornou Espanha um dos países mais prósperos da Europa (que já nada tem a ver com Portugal, a todos os níveis), centenas de nuestros hermanos continuam a atravessar a fronteira para terem a oportunidade de aplicar os conhecimentos que adquiraram nas faculdades de medicina e enfermagem. Nunca é de bom tom morder a mão que nos alimenta, por muito injusta que seja a nossa situação. Mas o mais triste é que pouco a pouco a invasão Espanhola começa a assumir moldes algo preocupantes. É que já há serviços, como aquele onde eu estou, onde os Espanhóis já assumem cargos de chefia, e mandam nos médicos Portugueses. Eu não sou contra a vinda de médicos Espanhóis, Moldavos ou Liberianos. Apenas gosto do meu país, mas tenho pena que o meu país, em vez de 10 bons estádios de futebol, não tenha bons hospitais em que os médicos se sintam bem, boas universidades, para não falar de escolas em condições, e por aí adiante. Para que pudéssemos ser uma referência que os outros países invejassem, em vez de sermos constantemente a ovelha negra da família. É que melhores condições de trabalho também aumentam os níveis de motivação de quem lá trabalha.

Tuesday, July 26, 2005

Havaianas

A febre das havaianas invadiu Portugal. Eu pessoalmente, confesso que não sou grande adepto. E porquê? Bem, primeiro, porque passo grande parte do tempo no hospital, a contactar com pacientes. Mas acima de tudo, e isto pode parecer uma picuinhice minha, não gosto em geral de usar calçado aberto, porque sempre que o faço parto uma unha ou outra, para além de que estamos especialmente vulneráveis a todo o tipo de traumatismos, particularmente nos transportes públicos de Lisboa...
Claro que às vezes desespero por só usar calçado fechado, mas a verdade é que para mim acaba por ser um mal menor, pois as vantagens superam as desvantagens.

Saturday, July 23, 2005

Actualização

O meu blogue acaba de levar um pequeno "upgrade". Para além de agora ter desvendado a minha identidade e de fornecer o meu email, passei a disponibilizar o registo dos leitores, para que estes recebam por email as minhas últimas entradas.

Novo casal Damásio

Os meus colegas da Nova acabaram ontem o curso, já são médicos! Parabéns a eles! Entre eles, estavam um casal que quer ir viver para a Suécia. O Rui, que quer ir fazer o doutoramento para o Instituto Karolinska, em Estocolmo, e a Marta, que quer ser neurologista pediátrica. São um casal muito engraçado, pois ambos gostam muito de investigação, e estão ambos convictos de que a Suécia é a terra prometida. A Marta está a tentar entrar no programa de internato geral deles (período de formação pós-graduada prévio è especialização), que dura 18 meses.~
A verdade é que esta prometedora parelha de cérebros fez-me lembrar do casal de médicos e cientistas António e Hanna Damásio, que estão radicados nos EUA (acho que se mudaram para a Califórnia recentemente), e que dão cartas a nível mundial nas neurociências. Eu espero que sim, que eles se tornem num novo "casal Damásio", e desejo-lhes toda a sorte deste mundo, pois são pessoas que sabem muito bem o que querem, têm muito valor, mas ainda estão à espera que alguém lhes dê uma oportunidade para singrarem. E eu não tenho dúvidas nenhumas de que estão talhados para o sucesso, com muita pena para Portugal, que infelizmente não tem condições para segurar estas e outras mentes brilhantes.

Thursday, July 21, 2005

Leituras de verão

Ainda ontem, Vasco Graça Moura escrevia no DN acerca das suas sugestões de leitura para o verão. O thinktanktuga sugere as seguintes leituras:

The Economist: www.economist.com

The Spectator: http://www.spectator.co.uk/index.php

Prospect: www.prospect-magazine.co.uk

Slate: http://slate.msn.com/

Walrus: http://www.walrusmagazine.com/

Cartão Europeu de seguro de doença

Hoje fui à loja do cidadão pedir o Cartão Europeu de Seguro de Doença, que permite ficarmos isentos de pagar quaisquer cuidados de saúde a que tenhamos sido sujeitos por motivos de doença nalgum outro país da UE. É de borla, por isso aconselho toda a gente a pedir o seu, até o podem fazer pela internet. É um direito que temos como cidadãos Europeus, e não custa nada!

Wednesday, July 20, 2005

Colisão

Fui ver um filme que aconselho a todos: "Colisão", que versa sobre a problemática do racismo, da violência, da cultura policial e das armas nos Estados Unidos. Enfim, ainda no outro dia estava a falar do lado mais resplandescente da América, mas agora aproveito a deixa para tocar no seu lado mais negro. Ou seja, onde eu quero chegar é que a América tem o pior e o melhor que há no mundo, é uma nação um bocado "maníaco-depressiva". Este filme consegue muito bem pôr o dedo na ferida...

Fest Forward

O meu amigo Gonçalo agora é director adjunto de uma nova publicação que procura ser uma lufada de ar fresco no panorama cultural Português, a Fest Forward, que é inteiramente dedicada aos festivais de música. O primeiro número já está disponível no sítio.

Monday, July 18, 2005

Easyjet

Até que enfim! Já é oficial, a Easyjet, a segunda maior transportadora aérea low-cost do mundo, vai chegar oficialmente a Portugal a partir de 30 de Outubro! Infelizmente, e para já, só na rota Lisboa-Genebra, o que não é propriamente uma rota muito interessante (com excepção talvez dos imigrantes), mas eles prometeram abrir mais rotas no futuro, por isso vamos ver. No entanto, é mais uma contribuição positiva para sermos cada vez menos periféricos.

Sunday, July 17, 2005

Rádios regionais

Nunca mais vou dizer mal de uma rádio regional. Deliciei-me na tarde de ontem, enquanto percorria a A8, a ouvir a Rádio Lourinhã, que passou Reggaeton do bom e do melhor.

Auto-estradas

Começo a duvidar se em Portugal há excesso de velocidade nas estradas. Eu, que nem sou um condutor rápido, vi-me a desesperar na A8 hoje (de Lisboa à Foz do Arelho e voltar), pois aquela raquítica auto-estrada só tem duas vias na maior parte da sua extensão, então o que acontece é que na da esquerda vão os "lentos" a 90-100 km/h, e na da direita, os "apressados", a 140 km/h para cima. Como o meu modesto carro não acompanha os bólides da via da esquerda, tenho que estar sempre à espera de um buraco para poder ultrapassar os da da direita, pois não há pachorra para tanta lentidão. É o que dá ser um cidadão cumpridor, que é um afeiçoado dos 120-130 km/h. Ah, e depois ainda que ter cuidados redobrados para aturar aqueles idiotas que não sabem o que é uma via de aceleração, e passam desta para a via principal a 60 km/h. Então à noite, é preciso ter imenso cuidado para não esbarramos nesses tipos só porque vamos correctamente a 120 km/h. É preciso cá uma paciência... e ainda por cima a A8 é a auto-estrada mais cara do país! Enfim Tiago, como dizia o meu professor de história do liceu, utilizando uma expressão do tempo da ditadura, come e cala-te...

Saturday, July 16, 2005

América para que te quero

O Freitas do Amaral fez um figurão esta semana. Bruto lobbying nos Estados Unidos, onde ele esteve esta semana em visita oficial a Washington. No entanto, ele passou antes por Nova Iorque, onde se reuniu com altos responsáveis da Microsoft, e aparentemente, segundo o Expresso, conseguiu assegurar a realização da Conferência Europeia da Microsoft, com a presença do Bill Gates, em Lisboa, em Janeiro de 2006. É para isto que lhe pagam!
No capítulo das relações bilaterais, reuniu-se com Condi Rice, e discutiram, entre outras coisas, o aumento da cooperação a nível da investigação científica/biomédica, e dos esquemas de intercâmbio entre Universidades, que, tirando os programas Fullbright para os mais crescidinhos (doutorandos para cima), praticamente é uma miragem a nível do ensino pré-graduado. Espero que isto se torne uma realidade, pois temos muito a aprender com os Estados Unidos (apenas as coisas boas que eles têm, pois eles também têm muito a aprender connosco) não só a nível da medicina propriamente dita, como sobretudo em termos de mentalidade, organização e métodos de trabalho. Eu infelizmente só me apercebi demasiado tarde, mas recomendo a todos os estudantes de medicina fazerem uns estágios ou passarem umas temporadas por lá, pois eles têm uma visão, hábitos e uma maneira muito diferente de trabalhar dos Europeus. Cada vez há mais oportunidades (inclusive bolsas e apoio financeiro), por isso já não há desculpas, o céu é o limite!

De volta

Nunca pensei dizer isto, mas nunca estive tão feliz em poder regressar ao Hospital de Santa Maria para o meu último estágio. Tenho andado afastado nos últimos três meses e meio, onde estive a fazer estágios em hospitais e centros de saúde da Grande Lisboa. Foi muito bom, porque deu para conhecer a realidade social complexa que é a Grande Lisboa (desde Cascais até à Margem Sul). Mas acordar muito cedo, as longas viagens em transportes públicos, e o facto de Santa Maria estar a duas paragens de metro de minha casa renovaram o meu entusiasmo no hospital que conheço melhor. Chamem-me comodista, mas é um alívio de facto estar de volta aquele hospital imundo e feio e cheio de médicos antipáticos!

Um problema de mentalidade

No outro dia recebi um email de uma amiga Checa, que esteve na minha Faculdade a fazer Erasmus há uns anos. Ela dizia-me que tinha acabado o curso (já é médica), e estava agora durante as férias de verão a trabalhar num escritório como secretária para amealhar umas massas. Eu fiquei embasbacado! Quantos recém-licenciados em medicina em Portugal é que eram capazes de fazer isto? Acho que nenhuma empresa os aceitava! Eu próprio, quando estava no 5º ano do curso, fui rejeitado por todas as empresas de trabalho temporário, por acharem que as empresas não vão querer alguém que, digamos, tem potencial para ser demasiado "reivindicativo".
Mas não precisamos de chegar tão longe. O problema é que, a maioria dos recém-licenciados em medicina Portugueses (onde eu me vou incluir daqui a duas semanas) não estariam dispostos a pôr em causa o seu estatuto, agora que são doutores a sério, para ir trabalhar em coisas que porventura "não lhes fica bem". Mas isto é um problema de mentalidade, quer dos médicos, quer dos próprios empregadores, algo tacanha na minha opinião. E isto porque os recém-licenciados em medicina estão parados de Agosto a Janeiro (altura em que começam a trabalhar como internos), sem ganhar um tostão. Qual é o problema em ganhar umas massas para abater nas despesas dos pais? Aparentemente, somente nós próprios e o resto da sociedade...

Speed dating

Ontem tive uma discussão interessante com uma amiga minha a propósito do Speed Dating, mais uma daquelas invenções estrangeiras que acaba por chegar a Portugal 10 ou 20 anos depois de ter sido inventada. Ela advogava que aquilo era mais para o tipo de pessoa solitária, que tem uma carreira profissional exigente, e uma vida social que deixa muito a desejar. Enfim, o lugar comum nos países do Norte da Europa e América do Norte, mas algo que para bem e para mal, também começa a haver em Portugal. Ela dizia que para isto chegar a Portugal, é porque começa já a haver uma "massa crítica" considerável de pessoas "tristes". Se calhar, é um dos lados mais negros do desenvolvimento social das sociedades, ao qual Portugal, apesar de todos os problemas, está a acompanhar (só no desenvolvimento económico é que estamos um bocado, para ser eufemístico, estagnados).
Leiam as regras e vejam se até não vale a pena experimentar uma vez. Eu até era capaz de experimentar, é uma experiência como muitas outras, e acho que não deve ser levada demasiado a sério, apesar de ter ouvido que as pessoas se preparam imenso para isto nos países Anglo-saxónicos. Mas atenção, é preciso pagar 25 euros, e em Portugal tem de se ter 27 anos!
O que é que eu penso disto? Nunca experimentei, como já disse, mas penso que tem alguma piada, é mais uma maneira de reforçarmos a nossa rede social, e eventualmente, com alguma sorte, conhecermos alguém especial. Sacrificam-se dois fins de semanas de saídas e já tá! Mas confesso que precisaria de estar muito desesperado para preferir isto à maneira antiga de fazer as coisas, isto é, apostando na naturalidade, espontaneidade e no acaso.
A minha amiga também dizia que esta importação está feita à medida dos Anglo-saxónicos, que têm a cultura do "dating", ao contrário de nós. Mas será que caminhamos inexoravelmente para lá?

Tuesday, July 12, 2005

Os Olhos da Alma

Descobri mais um blogue de um colega: Os olhos da Alma

Idiossincrasias à Portuguesa

Hoje passei por uma daquelas idiosincrasias Portuguesas. Fui à Reitoria pedir a emissão do meu diploma de licenciatura, mas depois descobri que a carta de condução é um documento de identificação oficial em todos os países da União Europeia (até no Reino Unido, que não pertence ao Espaço Schengen) excepto... em Portugal. Não me aceitaram, dizendo que não está lá o nome dos pais, como se isso fosse muito importante para a prática da profissão... bem, se calhar até têm razão, porque em Medicina (na profissão, não no curso, mas também), o nome dos papás até importa bastante...
Portugal no seu melhor...

Monday, July 11, 2005

Distribuidores de Publicidade

Todos os dias somos confrontados com a "praga" dos indivíduos à boca do metro, ou noutro local estratégico, a passar-nos publicidade para mão. Eu confesso que há dias que fico tão irritado que digo que não e agradeço educadamente. Mas vejamos:
-nem sempre é o caso, mas muitas vezes, esta gente distribui coisas interessantes, que até acabam por nos interessar, seja um restaurante novo, uma escola de yoga, etc... nem imaginam as coisas que vim a saber graças aqueles papelinhos inocentes.
-esta gente está a exercer um trabalho digno, e para muita gente, poderá ser uma fonte de rendimento importante, bem como um part-time plausível para estudantes. Eu próprio já fiz uma coisa parecida no Verão passado, a colar autocolantes em carros, de que muito me orgulho, pois fiz bastante dinheiro para as duas ou três horas que o trabalho me tomou.
Pensem sempre duas vezes antes de dar aquele ar de frete quando vamos a sair do metro. E por favor, não deitem no chão ou no primeiro caixote de lixo que encontram! Já somos pouco civilizados que chegue...
Como dizem os Ingleses, "there's more than meets the eye".

Sunday, July 10, 2005

Couch surfing

Para quem gosta de viajar mas tem pouca cheta, uma possível alternativa é apostar no Couch Surfing, que basicamente consiste em, independentemente da parte do mundo de que estamos a fala, ficarmos em casa de pessoas, de borla, através de uma rede mundial de contactos. Este esquema é mais complexo do que parece, sobretudo por motivos de segurança, mas sempre é uma possível maneira de poupar uns cobres e de conhecer novas pessoas. É um bocado com o Car Pool Alemão, em que pessoas que nunca se viram na vida repartem a gasolina para determinados trajectos de carro em comum; também há uma base de dados para isso em que a pessoa se pode inscrever. Já fui de Colónia a Nijmegen (na Holanda) por cinco euros desta forma, quando o comboio são 30!
Também já vi imensas formas baratas e alternativas de viajar: viajar em cargueiros (permite efectuar trajectos intercontinentais), em camiões TIR. O meu sentido de aventura ainda não chegou tão longe.

Wednesday, July 06, 2005

Serviço de Urgência

A série "ER" (serviço de Urgência) voltou aos ecrãs Portugueses! Sim, não sei porque é que demorou tanto tempo, mas finalmente temos episódios frescos da VII série! Fiquei profundamente irritado com a má qualidade das legendas, nomeadamente a nível da terminologia médica; há ali uma falta de controlo de qualidade brutal. Não é que isso faça a mínima diferença para o tele-espectador leigo, mas aqui a comunidade estudantil de medicina não deixa passar. Sim, porque traduzir "torsade de pointes" por fibrilhação ventricular é uma calinada de todo o tamanho!; tratam-se de dois tipos distintos de arritmias (perturbação do ritmo cardíaco, o coração deixa de bater regularmente para começar a bater "à balda")). E chamar estagiários aos "residents" é uma profunda ofensa aos internos da especialidade, pois em Portugal, os estagiários são os alunos do 6º ano! Pormenores...
O ER pode ser uma grande palhaçada, mas é um clássico! Todas as quintas na "2"! E a horas decentes!